“É minha ansiedade quem me acorda e é com ela que vou dormir”. Você se identifica com essa frase? Sente que tem tido a ansiedade como companheira no dia a dia? Você já deve desconfiar que não está sozinho: em 2019, a Organização Mundial de Saúde[1] estimava mais de 300 milhões de pessoas sofrendo com algum transtorno de ansiedade, e esse número aumentou cerca de 25% depois da pandemia [2]. Mas se você chegou até aqui, deve estar em busca de respostas: o que fazer para aliviar essa ansiedade que se faz presente em muitos momentos da vida? O que é a ansiedade? A ansiedade é um sentimento frequentemente descrito como medo relacionado a antecipar situações ou acontecimentos, trazendo como consequências desconforto e tensão [3]. A ansiedade é deixar de vivenciar o que acontece no agora e se visualizar constantemente no futuro, criando mentalmente situações hipotéticas do que pode vir a acontecer, muitas vezes de forma pessimista. Assim como o medo, a ansiedade não é intrinsecamente ruim – ela nos coloca alertas para situações perigosas ou ameaçadoras [4]. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), em sua quinta edição, classifica, a partir de sintomas catalogados, 10 tipos de transtornos de ansiedade. Tipos de Transtorno de Ansiedade [5] · Transtorno de Ansiedade de Separação;· Mutismo seletivo;· Fobia específica (animal, ambiente natural, lesão por injeção de sangue, situacional);· Transtorno de Ansiedade Social;· Transtorno de Pânico;· Agorafobia;· Transtorno de Ansiedade Generalizada;· Transtorno de Ansiedade induzido por substâncias/medicamentos;· Ansiedade decorrente de outra condição médica;· Outro transtorno de ansiedade especificado (aplica-se quando o paciente tem sintomas significativos, mas não atende os critérios para qualquer transtorno de ansiedade específico). Há, ainda, o transtorno do estresse agudo, os transtornos de adaptação e o transtorno de estresse pós-traumático. Apesar de apresentarem a ansiedade como característica, são classificados separadamente no DSM-5 por terem sido causados por experiências traumáticas ou estressantes [5]. Quando a ansiedade é um problema? A resposta pode variar de pessoa para pessoa, mas geralmente é necessário olhar com atenção para ela quando percebemos que as atividades do dia a dia, os relacionamentos e nossa qualidade de vida estão sendo prejudicados por conta da ansiedade. A primeira frase desse texto serve como um exemplo: se você acorda com a ansiedade e vai dormir abraçado a ela, muito provavelmente está na hora de fazer algo para mudar essa situação. Como lidar com a ansiedade? Existem várias formas de se lidar com a ansiedade. Não há uma receita pronta que funcione para todas as pessoas, mas vou trazer algumas ações que pode testar e perceber se servem para você. Uma delas já adianto aqui: fazer terapia. Quais são os sintomas da ansiedade? A ansiedade é caracterizada por diversos sintomas, tanto físicos quanto emocionais. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) classifica o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) da seguinte maneira [6]: Critérios do DSM-V para o Transtorno de Ansiedade Generalizada A. Ansiedade e preocupação excessivas, ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos seis meses e relacionada a inúmeros eventos ou atividades (p.ex. trabalho e desempenho escolar). B. A preocupação é difícil de controlar. C. A ansiedade e a preocupação estão associados a três (ou mais) dos seguintes sintomas (com pelo menos alguns sintomas estando presente na maioria dos dias nos últimos seis meses): • inquietação ou sensação de estar no limite;• cansar-se facilmente;• dificuldade de concentração;• irritabilidade;• tensão muscular;• distúrbios do sono (dificuldade de iniciar ou manter o sono e sensação sono não satisfatório). D. Os sintomas físicos, preocupação ou ansiedade causam sofrimento clinicamente significante ou incapacidade em atividades sociais, ocupacionais ou outras. E. O transtorno não pode ser atribuído a: uma condição médica geral, uso de substâncias ou outro transtorno mental. O professor Antônio Zuardi, do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) [6], destaca, ainda: “avaliação negativa e catastrófica de eventos, baixa tolerância a situações ambíguas, pouca confiança na solução de problemas e excessiva avaliação de alternativas antes de tomar decisões”. Sintomas físicos de ansiedade [5] Como é feito o diagnóstico de ansiedade? Não existem testes laboratoriais para diagnóstico da ansiedade. O psiquiatra norte-americano John W. Barnhill, do Presbiterian Hospital de New York, indica, no entanto, três perguntas que poderiam servir de base para a investigação de diferentes transtornos de ansiedade [5]: O DSM-5 caracteriza um diagnóstico positivo para ansiedade se o paciente confirmar as três seguintes hipóteses [5]: E também se outras causas não foram identificadas. É importante atentar se a ansiedade não vem sendo desencadeada pelo uso de medicamentos ou por condições de saúde como asma e hipertireoidismo. O que fazer para a ansiedade diminuir? O que faz a ansiedade aumentar? Música para reduzir a ansiedade Como musicoterapeuta, volta e meia alguém me pergunta: – Que música devo escutar para diminuir o estresse, ficar mais relaxado e amenizar a ansiedade? A minha devolutiva, como profissional de Saúde Mental, acaba decepcionando: – Essa resposta só quem tem é você. Parece até antipática, mas é uma resposta honesta – é que não existe uma música ou playlist que vá funcionar para todas as pessoas, porque cada pessoa é um ser único. Existem, por exemplo, entre tantas alternativas, vídeos para relaxar com sons de água; há com mantras e também alguns com flauta nativa americana. A pergunta que devolvo é: essas sonoridades fazem sentido pra você? E isso se relaciona com preferências musicais, lembranças sonoras, momentos marcantes vivenciados com música e até com o próprio ritmo biológico. Então como funciona a Musicoterapia para diminuir a ansiedade? Se o seu desejo realmente é ter uma playlist para diminuir a ansiedade, e você não se identifica com nenhuma que já tenha ouvido, podemos descobrir essas músicas juntos. Uma das possibilidades de intervenção é paciente e musicoterapeuta escutarem as músicas que fazem parte da trilha sonora do paciente, ou de sua Identidade Sonora, o